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Chicão roubou o meu coração

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Apaixonada pelo meu cachorro.

Sempre gostei de bichos em geral, qualquer um. Já tive alguns. Acho que pessoas que convivem com animais tendem a ser mais felizes, mais dadas, mais amorosas. Vi isso claramente quando Chico chegou aqui em casa: meu marido e meus enteados imediatamente passaram a ser mais “bestas”, como as pessoas em geral ficam na presença de bebês, sabe como é? A presença de um bichinho desarma nossas defesas naturais, e apela pro que temos de mais gostoso, de mais natural. Não é por acaso que já está mais do que provado cientificamente que pessoas que convivem com animais de estimação vivem mais e melhor, e se recuperam mais facilmente de doenças.

Na dúvida, quando estiver deprimido, vá à praça e observe crianças brincando com seus cachorrinhos.

Pois bem. Chico chegou em nossas vidas e eu só sabia criar mesmo gatinhos. Louca que fui pelos QUATRO que já criei, foi difícil vencer a barreira de ser uma cat person e passar a namorar com a outra categoria de gente, os dog lovers. Resisti à idéia de um bicho barulhento e espaçoso tumultuando minha casinha, quando tudo poderia ser bem mais fácil com um gatito se espreguiçando na varanda.

Mas foi só vê-lo e já foi pro espaço meu preconceito. Abracei-me com aquele filhote e só voltei pra casa com ele no banco de trás do carro.

E não é que ele se revelou ser um cachorro com um jeito meio felino de ser? Ele quase não late (agora), é tranquilo e educado, só quer estar por perto da gente. Tudo o que ele quer da vida (mais até do que comer!) é estar no mesmo ambiente que a gente, nem que seja num cantinho pra não incomodar.

É claro que agora ele é o maior destruidor de sapatos da face da terra, é claro que sofremos com o xixi pela sala (fase já ultrapassada, aleluia!), é claro que ele É uma preocupação a mais na casa, mas quem consegue resistir a essa carinha? Quem consegue chegar em casa e ser praticamente atacada por um ser tão feliz e não ficar feliz também? Quem consegue não sorrir jogando bola com ele?

Chico é o quinto membro de nossa família e me ensinou que é só dar uma brechinha para o novo e desconhecido pra ganhar, quando menos se espera, um melhor amigo.

ps: paciência, porque acho que desaprendi a escrever.

Eliane Brum. Vida de Clichê (Revista Época).

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“Sei disso e tento manter-me inquieta. Quando vou me tornando um bichinho, enrodilhada em mim mesma, sou também eu que me cutuco com um pedaço de pau para sair da toca. Conforto é bom, mas é também uma não-ação. Sei que apenas chegando cada vez mais perto de mim mesma é que posso alcançar a possibilidade de ser outra. E de fazer do velho em mim algo novo.” (daqui)

W. Ernest Henley. Invictus.

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Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate;
I am the captain of my soul.