Arquivo mensal: dezembro 2009

Nosso Natal é Natal, também

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Fizemos nosso Natal na terça. Perfeito. 24 horas na cozinha, tudo feito com amor e carinho e do comecinho. Cercados por pessoas que amamos e respeitamos e queremos na nossa casa, com nosso cachorro, nossas crianças, nossos presentes. Foi o melhor Natal que alguém poderia querer.

Feliz Natal pra você, também.

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big thirties

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Há uma semana eu venho carregando os 30 nas costas. Nas últimos meses eu vinha pensando muito em todo o processo de fazer 30, os marcos, os medos, e, especialmente, a pressão. Fazer trinta não é como fazer 29, em que você ainda pode jogar alguma parcela de culpa das besteiras que faz em cima da “juventude”. Aos 30, esperam de você um mínimo de sabedoria (ainda que fajuta). Aos 30 as mulheres começam a se desesperar com a vaidade, porque não basta mais só cortar a sobremesa pra emagrecer e caber na calça jeans (todas entram na academia, na ioga, na dermatologia, na maquiagem boa).Aos 30 você tem que estar casa(n)do, e com planos imediatos de filhos. Aos 30 sua carreira tem que estar definida, sua conta bancária equilibrada e suas férias na europa minimamente gozadas.

Comecei a tensão dos 30 pensando em tudo isso aí de cima que eu não fiz ou não tenho. Tenho 30 anos e não tenho um corpão (nunca tive, talvez a partir de agora venha a ter, se eu dedicar 15 horas do meu dia a isso). Tenho 30 anos e faço (principalmente falo) merda. Tenho 30 anos e não tenho filhos assim, naturalmente meus (e passei os últimos anos pensando sobre isso). Tenho 30 anos e minha carreira (o que é isso mesmo?) tá mais indefinida que final de campeonato brasileiro. Tenho 30 anos e não passo férias na europa. Também não escrevi livro, embora já tenha plantado uma árvore (que acho até já foi derrubada).

Na realidade, eu até queria escrever alguma coisa pra marcar esse momento tão cabalístico, sei lá, tem gente que faz poema, música, faz sessão de fotos, festão. Eu fiz foi muita terapia, pra poder me dar de presente minha inteireza.

É que eu sempre erro, olhando o copo vazio. Meu fazer 30 anos poderia até ser um desastre, se não fosse a parte cheia do copo: tenho 30 anos e sou FELIZ (assim, em caps lock) no amor (vários ex- namorados e ex-marido na mochila), tenho 30 anos e comprei este ano o meu apartamento (vamos lá, pagando ainda alguns pedaços), tenho 30 anos e tenho um emprego que adoro, tenho 30 anos e tenho dois enteados lindos e inteligentes e carinhosos, tenho 30 anos e tenho os melhores irmãos do mundo, tenho 30 anos e minha conta bancária vive equilibrada, tenho 30 anos e pela primeira vez entrei em uma joalheria, apontei pra uma peça e disse “vou levar”. Tenho 30 anos e durmo toda noite com o homem que eu amo e que eu escolhi pra dormir comigo toda noite. Ah, desculpa, já tinha falado nisso.

O resultado da equação é que é muito melhor ter 30 e estar na briga do que ter 20 e viver esperando o momento em que a vida finalmente vai chegar. A vantagem da mudança de dezena é essa: a certeza de que a vida chegou e é essa mesmo e que é melhor se preocupar com o que vestir (passa a ficar feio se vestir como alguém de 16, né?).

E – porque copo somente cheio ainda é pouco, bom mesmo é quando transborda – dei um passo extra e fiz 30 anos e comprei um cachorro. Tsá?