ovo-galinha

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Minha vida inteira ouvi meus pais dizendo que seríamos seus filhinhos para sempre. Fomos amados até demais. Cresci pensando em família como um conceito monolítico, rock hard, um dado impossível de ser ultrapassado. Quando fui criança, a foto de família foi facilmente resolvida.

Hoje é tudo diferente. A família, para mim como para outros tantos, alargou-se em muitos aspectos, estreitou-se em outros, adquiriu faces insuspeitadas. Modificou-se para fora e para dentro de mim. E está tudo bem. Reformulei meu jeito de ver a família, e fui me ajeitando no meu projeto.

Mas permanece aqui um peso, um membro-fantasma. Uma tristeza-de-domingo-à-noite, talvez, que ainda reclama a ausência da antiga conformação. A menina em mim sente falta da mamãe. Mas não para me dar colo ou pentear os cabelos. Ela sente falta da mãe na hora em que precisa aprender a ser mulher.

A ser a mulher que eu acho que devo ser.

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