Arquivo mensal: dezembro 2008

2008/9

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como diz aquela música insuportável: é isso aí.

acabou-se o ano. fiz muita coisa, outras ficaram pra depois. como todos os anos. esse, no entanto, é um pouco diferente, porque eu termino o ano com uma futura-casa-nova e várias dívidas novas. esse é diferente porque é o último antes de meus 30. e eu tô fazendo força pra andar pra frente, minha gente!

mas 2009 vai ser um ano especial, tô sentido. vai ser um ano de resoluções, de desatamentos, de novidades.

pra mais tarde, calcinha é nova. vestido é novo, verde! vou começar o ano do melhor jeito possível: descalça, com o homem que eu amo, com minha mãe e olhando pro céu.

aponta pra fé, e rema.

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no ano novo eu prometo…

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Meus amigos têm realizações: financeiras, de carreira, de viagens. São nomeados, entrevistados, passaportes carimbados. Eu tenho a vida mais suburbana, enfadonha e tranquila do mundo. Sou funcionária pública no sentido drummoniano. Às cinco da tarde gosto de estar colocando água nas plantas. Gosto de ficar planejando cantinhos da minha casa nova. Gosto de ir ao supermercado, de olhar a tarefa da minha enteada, de ouvir meu enteado falar palavras novas. Gosto de ficar na rede com meu marido. E, apesar de toda a felicidade que essas coisas me trazem, eu me sinto uma grande sub: sub-profissional, sub-correntista bancária, sub-desbravadora, sub-conhecedora, sub-gostosa, sub-amiga, sub-curtidora da vida, sub-sub.

divã

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qual o propósito de se fazer terapia? digo, para além de resoluções emsimesmáticas e existenciais, o que é que um analista/terapeuta/psicólogo quer de você? o que ele espera quando você chega lá? que tipo de reação do paciente é, para eles, um prêmio a ser perseguido? uma realização profissional?

geralmente se pensa que é aquele momento em que o paciente diz que entende o problema. mas entender, depois de um tempo, fica fácil demais. e não dá pra você chegar lá e dizer “doutor, estou curado porque já sei o que tem de errado comigo, já sei o que me dói”.

mas hoje acho que encontrei a resposta: o objetivo é você chegar lá, falar falar falar, se debater sobre o que falou por anos a fio, em idas e vindas, tempos e contratempos, pra um belo dia dizer “sim, reconheço o problema, mas hoje ele não representa mais um problema para mim… eu consegui entendê-lo E vivê-lo E superá-lo. isso não me dói mais tanto assim”. é um nível diferente de compreensão, que reclama não só o perceber a existência da dificuldade, mas também (o que é mais difícil) o deixar que o mal se cure sozinho, esó aí então notar que já não há mais nada a ser feito: o nó se desatou.

se eu estiver certa, tanto eu quanto a minha terapeuta teremos um ótimo natal.

ovo-galinha

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Minha vida inteira ouvi meus pais dizendo que seríamos seus filhinhos para sempre. Fomos amados até demais. Cresci pensando em família como um conceito monolítico, rock hard, um dado impossível de ser ultrapassado. Quando fui criança, a foto de família foi facilmente resolvida.

Hoje é tudo diferente. A família, para mim como para outros tantos, alargou-se em muitos aspectos, estreitou-se em outros, adquiriu faces insuspeitadas. Modificou-se para fora e para dentro de mim. E está tudo bem. Reformulei meu jeito de ver a família, e fui me ajeitando no meu projeto.

Mas permanece aqui um peso, um membro-fantasma. Uma tristeza-de-domingo-à-noite, talvez, que ainda reclama a ausência da antiga conformação. A menina em mim sente falta da mamãe. Mas não para me dar colo ou pentear os cabelos. Ela sente falta da mãe na hora em que precisa aprender a ser mulher.

A ser a mulher que eu acho que devo ser.