Arquivo mensal: novembro 2008

futuro do pretérito

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ultimamente tenho pensado muito na minha ansiedade, nessa onipresente sensação de inadequação, de débito, de que, fazendo uma coisa, eu deveria mesmo era estar fazendo outra. e me sinto culpada por ser assim. se eu fosse quem eu deveria ser, eu seria mais relax, eu lidaria bem com escolhas, com limitações. mas, sendo menos do que poderia, sofro crises de auto-cobrança, em que nunca sou inteligente o suficiente, bonita o suficiente, produtiva o suficiente, boa o suficiente. eu só sou eu, me equilibrando em uma corda bamba.

o pior é que parece haver uma voz me repetindo, incessantemente, “você poderia ser/ter/fazer melhor”. a culpa, claro, é minha: eu é que não posso pagar mais rápido, ganhar mais, ter um emprego mais bambambam, fazer mais exercício, me vestir melhor. Eu é que, defeituosa, estou abaixo de todas as minhas potencialidades.

sei que preciso não me deixar abater, não virar refém. preciso criar um mantra para compreender que meu superego é hipertrofiado. preciso entender que, quando não é, é porque simplesmente não DEU pra ser. e aceitar esse resultado.

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o fim do retorno de saturno

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esta semana completo meus 29 anos. 

assino amanhã o maior compromisso financeiro da minha vida, até agora. não só pelo dinheiro, mas porque aquele pedaço de papel representa minha idéia de futuro.

começo meu último ano antes dos 30 de uma forma que, não sendo excepcional, nem trágica, cortei, da melhor forma que pude, à minha medida. e que me cabe, cada vez mais confortavelmente.

2009 promete.

Alô, vovô!

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Vovô,

A coisa que eu mais queria agora era que você o conhecesse. Queria que você escutasse sua risada, e o visse falar de música. Consigo vê-los, os dois, numa farra noite adentro, sem tempo. Você entenderia, mais que qualquer um, os nossos caminhos. Você saberia exatamente o porque dos por quês, e me chamaria de sua princesa, e determinaria – em ordem inquestionável – que ele me tratasse como uma rainha. Eu te vestiria de coletes finos, somente para vê-lo dobrar as mangas da camisa para tocar melhor o pandeiro. Você pediria para tocarem Aline, sem saber falar francês. Mas ele cantaria pra você, vovô. E ficaríamos todos orgulhosos. E você me daria uma abraço apertado, e me abençoaria. Era o que eu queria. Você lá, comigo, com ele. Eu atendendo o seu pedido, aquele que não pude atender em sua vida, vovô, que ficou pra depois. Mas que daqui a pouco será para agora. E eu faço questão de que você seja o primeiro a saber, lá.