Arquivo mensal: agosto 2008

baladas no jardim da infância

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fico impressionada com a vida social das crianças de hoje em dia. lembro que, quando pequena, eu e meus irmãos fazíamos a maior festa quando era dia de brincarmos no parque da jaqueira, ou quando tinha aniversário de algum primo; tudo isso era um grande acontecimento, porque nos outros dias ficávamos brincando em casa mesmo, ou com os vizinhos, ou no máximo para a casa da minha avó (a dois quarteirões da nossa casa). não tinha isso de festinha em buffet toda semana, de clube das estrelinhas no shopping ou de adultos obcecados por “entreter”.

tudo bem que éramos crianças mais, digamos assim, simples, e nossos pais não tinha um grande círculo social, e morávamos em jardim atlântico, olinda. mas quando olhamos para nossa infância (e fizemos isso olhando fotos há alguns dias), eu e meus irmãos concordamos que aquele tipo de vidinha foi o melhor presente de nossos pais para nossa inocência: permitiu que nos tornássemos crianças inventivas (fazíamos nossas próprias peças de teatro e brincadeiras) e independentes (não dava pra depender de papai e mamãe pra se divertir).

aí eu penso: será que também eu, se tivesse um filho, viraria mais uma mãe de agenda lotada, com mil e uma idéias para alimentá-lo de diversão? ?

auto-ajuda na china

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“diferentes da gente, eles se autorizam a desejar uma coisa que é difícil, mas que não lhes é impossível: desejam a excelência num ofício para o qual eles têm talento.”

contardo calligaris escreveu um artigo que reforço o que penso sempre que assisto às competições olímpicas: qual terá sido o caminho percorrido por alguém que dedica sua vida à perfeição em alguma coisa?

não acredito na suficiência do talento, salvo para algum momento efêmero de sucesso. talvez tenha puxado isso de meu pai, e taí a seleção de futebol pra comprovar o argumento. mal comparando, o talento só garante os 50 metros. pra cobrir uns 10km, só acredito mesmo (e vejo isso em todo mundo que conheço que é feliz) em insistência, dedicação e disciplina. e isso vale pros esportes, pros trabalhos, pros amores e pros projetos de vida.

as bruxas se mudaram para o outro lado do mundo

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essas olimpíadas fazem muito mal pra saúde. é verdade que você fica querendo virar triatleta, mas vejam bem: a dançarina da abertura quase morreu, o diego leva um estouro no último salto, o chinês torce o pé e agora roubam a vara da pobre da saltadora. haja psicanálise. quem é que aguenta ver anos de dedicação indo por água abaixo em segundos? deus me livre. eu não teria saúde mental pra suportar. acho que é por isso que eu não pratico esportes (eita, eu até tava correndo, mas depois que até edgar se machucou e tá na fisioterapia acho que fiquei com medo, ou preguiça, ou os dois).

isso tudo sem contar o prejuízo das minhas horas de sono.

quando é que tudo acaba e a gent volta a chamar beijing de pequim?

confraternizando

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morar na frente da favela tem lá seus inconvenientes. mas uma coisa da qual a gente nunca pode se queixar é da desanimação do domingo. tem sempre uma festa meio cubana, com som alto e muita salsa e merengue, pra você ver mesmo que pobre é feliz, pelo menos no domingão, comendo churrasquinho com os amigos e vizinhos. e já elegemos uma música-símbolo para o nosso dia sagrado de descanso, que é tocada religiosamente, toda semana, e que precisa ser cantada com aquela tremidinha brega de voz pra ficar perfeita:

Quando acordar de manhã e tomar seu café sozinha,
Pergunte pra sua tristeza se ela também é minha.
escreve meu nome com a ponta do dedo 
Nas sobras de pão sobre a mesa
Acende o cigarro, dispensa o café, e pensa na minha tristeza.

Quando eu acordar de manhã e tomar meu café na rua,
Pergunto pra minha tristeza se ela também é sua,
Amigos perguntam como eu estou, se agente ainda não se viu,
Brincam comigo e me dizem que estou,
Com cara de quem não dormiu.

Não ligo pra ela e ela não liga, 
e a gente fica sem falar.
Se ela não procura, também não procuro,
E a gente fica sem se amar

Quando eu acordar de manhã e tomar meu café na rua,
Pergunto pra minha tristeza se ela também é sua,
Amigos perguntam como eu estou, se agente ainda não se viu,
Brincam comigo e me dizem que estou,
Com cara de quem não dormiu.

Não ligo pra ela e ela não liga
e a gente fica sem falar,
Se ela não procura, também não procuro,
E a gente fica sem se amar.