Arquivo mensal: julho 2008

a idade

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precisou a petrobras aprovar a gravação do cd ao vivo da banda de tomaz pra que o padaria se reunisse e eu visse os meus amigos juntos. mas aí eu estava (como estou) gripada, e a febre não deixou que nossa reunião se alongasse para mais que uma pizza.

salve, jorge

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finalmente realizei um antigo projeto e tchan tchan tchan: botei um limoeiro no apartamento. é a coisa mais linda do mundo, pequeno e bem gordinho, com três micro frutinhos pendendo dos galhos. coisa fofa.

aproveitei o ensejo e botei também um molho de espadas-de-são-jorge na sala, num cachepot carérrimo. esse tipo de coisa é sempre bom ter por perto.  juntando com meu pé de alecrim, o de manjericão e a pimenteira, posso dizer que minha casa é à prova de mau-olhado. com as roupas e as armas.

curtas observações sobre um dia de inverno na periferia

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a) raposa com rouxinol: porque é tão irritante este tempo, em que o sol brilha no céu azul em um minuto e cai um pé d’água no minuto seguinte?

b) porque recife é um grande queijo suíço, onde só é possível transitar se você dispuser de um troller (meu carro vive com tudo batendo embaixo)?

c) porque é que TODAS as músicas de campanha política para prefeito e vereador em pernambuco são em ritmo de frevo ou caboclinho?

The West Wing

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em novembro passado comecei a assistir The West Wing. não foi difícil me apaixonar. alugamos todos os dvds, depois passamos a comprar as caixas das temporadas, porque acabava saindo mais barato. emendávamos um episódio no outro, um dvd no outro, uma temporada na outra. e assim os meses se passaram, acompanhando cada uma das sete temporadas. The West Wing era minha leitura antes de pegar no sono.

evitei começar. uma série sobre política americana não poderia ser tão interessante a ponto de ocupar a minha (quase sempre única) hora de ócio absoluto antes de dormir. enganei-me redondamente. não sou nada intelectualóide, mas não gosto de ser subestimada. gosto é de ser desafiada: a aprender mais, a entender melhor, a pensar melhor. The West Wing foi a série mais inteligente que vi na vida (e olha que eu amo seriados). Os diálogos são primorosos (especialmente se você não precisa ler legendas), os temas são sempre tratados de forma adulta (nunca maniqueísta ou unilateralmente), os atores são fantásticos. Cria-se uma empatia absurda com os personagens, de tão bem construídos que são.

o que mais me surpreendeu, no entanto, foi o fato de que uma série desse nível tenha ocupado o horário nobre da televisão americana por sete (isso mesmo: sete) anos. há como se pensar que no Brasil isso seria possível? em que dimensão extraterrestre o debate político seria uma sucesso de público na tv brasileira? num país onde nem os próprios políticos se levam a sério, onde a política, antes de ser um projeto de país é um atalho para vantagens pessoais, o padrão de entretenimento TV Globo (e agora, pra piorar, TV Record) é o espelho da maturidade intelectual a que chegamos, isto é, somos todos umas comadres debatendo as tramas novelescas, enquanto o país é uma enorme casa da mãe joana. O Brasil não se leva a sério.

Não sou americanófila. Não acho que o povo americano seja modelo para nada. Mas aprendi que, pelo menos, eles respeitam (ainda que na instância de valor abstrato) uma noção de Estado. Uma idéia coesa de Estado, de coisa pública. Acho que, se alguém tentasse trazer essas questões (de debate constitucional, jurídico, político, internacional etc) para o horário nobre da televisão, até os roteiristas seriam ridicularizados. Simplesmente não chegamos a esse nível, como nação.

No próximo mês vamos nos enrolar na bandeira nacional e vamos nos emocionar com o hino tocado nas competições esportivas, mas nossa idéia de patriotismo não é adulta. Somos crianças nos jogos da escola, brincando de defender o colégio sem nunca parar para refletir sobre a administração da competição.

curiosamente, acabamos as sete temporadas em poucos meses, e evitamos – como quem não quer que algo bom acabe – o último episódio. mantivemo-o guardado. ontem, com um bom vinho, ouvimos pela última vez a musiquinha da abertura, e confesso que chorei. lembrei que foi por querer pensar no país com seriedade que eu inventei (?!) de estudar direito, isso em 1996. é verdade que eu queria era ser diplomata, mas nem sempre se pode tudo. com todas as mazelas, ao menos o serviço público me dá agora um certo gostinho de servir (de forma irrisória, vá lá) a um ideal de Estado em que acredito.
e acho que tenho todo o direito de ser tão idealista quanto The West Wing.

isolamento

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Quero muito a minha vida de volta. Quero ter minhas horas livres, minha cabeça desocupada, meus medos infantis de não ter quem me proteja curados. Quero que isso tudo valha a pena. É pela minha tranquilidade de amanhã, pela nossa tranquilidade, pra que amanhã eu não me/te odeie, que desejo me afastar da vida que você deveria ter.