Arquivo mensal: junho 2008

vizinhança

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amigos, um conselho: nunca, jamais, morem do outro lado da rua de uma escola. quer dizer, busque pelo menos o conforto de estar separada por uma avenida.

a escola aqui do outro lado me acorda às 7 com a professora no microfone, se matando para silenciar as crianças de manhã cedo. o pior é que ela tem uma voz IRRITANTE e MELOSA (“atenção, beatriz, tiago, josé henrique… é a úllllltima vez que eu vou pediiiiir”). sabe aquele povo que fala beeeeem devagar e arrastando as sílabas? a voz dela até me faz simpatizar com seus alunos bagunceiros.

aí eu chego do trabalho pra tentar almoçar e tem duzentos e oitenta mil pais, com suas respectivas briluxes, fechando todo o trânsito porque querem apanhar seus filhos na porta da escola sem ter o trabalho de estacionar o carro. Eles param na porta, buzinam o máximo que conseguem, e os filhos adolescentes se arrastam mascando chiclete pra entrarem no carro de papai. e eu, claro, fico presa no engarrafamento sem conseguir entrar no prédio, porque eles também não vêem problema em parar o carro na frente do meu portão.

então chega a tarde. e você acha que teria uma pouco de paz, mas não! está na hora de ensaiar as quadrilhas, e são umas quatro horas das mesmas músicas com a professora gritando “atenção marcos roberto, tem que dançar o tempo todo… marina, é assim que se faz o serrote?”. pelo menos às vezes ela diz “hooooje foi quaaaaase bom, pessoal”.

e de noite? de noite tem o treino de basquete, a reunião pais e mestres, o ensaio pros jogos internos. só quando dá umas dez é que a escola se cala, se desliga, e quando eu vou apreciar o silêncio da varanda é para notar que, sob a marquise, dorme um mendigo numa noite de chuva.