Tatiana Salem Levy. A chave de casa.

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“Quando vai medir meu dedo, vê na outra mão o anel que levo comigo. É bonito, ele diz. Onde comprou? Era da minha mãe e, se não me engano, ela o comprou no Egito. Você está vendo esses buraquinhos todos? Pois então, em cada um havia uma pedra verde. Se quiser, posso colocar novas pedras, ele me oferece. Hesito, tenho medo de não ficar bonito. Não sei, quando o ganhei, ele já era assim, afirmo. E na verdade gosto das coisas que se foram, que não estão mais aqui. Gosto das ruínas, dos segredos do passado. Não gosto das coisas restauradas, como se tivessem sido construídas ontem, mas das marcas, dos vestígios. Depois acrescento: minha mãe comprou esse anel há mais de trinta anos. Será que o meu também vai durar tanto? Eu gostaria de dá-lo à filha que um dia terei. Ele me diz que sim, garante que durará muito tempo. Só não se quanto à pedra, ele brinca, isso não posso garantir. E rimos os dois.”

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