Arquivo mensal: outubro 2007

thellito

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othello morreu. talvez a gente sinta ainda mais sua morte por conta do que ela simboliza, agora. a morte de uma vida passada. a morte de um status quo. a morte do tempo em que a gente era feliz e ninguém era morto. junto com nosso gatinho, se foi nossa juventude, nosso casulo. parece-me que agora, sem othello (e em breve sem pretzel) tudo será inexoravelmente mais difícil, porque desconhecido. teremos que fazer nossas próprias famílias, como é natural. mas é que eu sinto falta da minha pra cacete.

e não tem mais o que eu possa dizer depois disto.

também vai pegar você

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aí que eu já estava, na volta do feriadão, tentando ler “Elite da Tropa”, pra entrar no mood-porrada do filme. não queria sentar lá pra ver o hype assim, tão verde, tão patricinha. comecei o livro pra aprender o que é x-9, convencionais, peça, arrego. tudo aprendido, já estava me sentindo a própria aspirante. então me programo para ir no cinema na quarta à noite.

começa o filme e eu já vou demonstrando toda a minha porção “eu tenho fetiche em farda” (ui). bem treinada pelo livro, entendi a maior parte dos diálogos (considerando que geralmente eu não entendo o malandrês – nem no programa de cardinot – foi um grande feito). mas eis que – tchan tchan tchan tchan – na horinha em que o capitão nascimento manda o parceiro trazer a 12 pra estragar o enterro do baiano, tudo fica preto. eu pensei: é efeito do filme? alguém me apagou bem aqui no cinema? nada disso. faltou luz. saí querendo deixar corpo no chão em pleno shopping boa vista (aliás, que cinema PODRE!), mas me apaziguei com um pobre visto no ingresso me autorizando a ir lá de novo ver o filme.

resta saber se eu vou utilizar essa minha prerrogativa, porque da primeira vez já tive pesadelo de madrugada, imagina vendo o filme pela segunda vez. por isso que aquele cara acabou se matando.

moral da estória: teria sido melhor comprar a porra do piratão na praia a 5 conto, e assistir tomando cerveja no sofá de casa. pega um pega geral.

cartinha pra Maria Eduarda

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Seja bem-vinda, Maria Eduarda, a este mundo maluco! Agora, em meio a sua ovelhinhas, você representa possibilidades incontáveis. Mas aqui nada é tão seguro quanto a barriga quentinha de sua mãe e o maligno senso de humor de seu pai.

Mas calma! Aqui também tem sorvete, tem Natal e tem amigos. Sua mãe não vai querer que você exagere no primeiro e seu pai certamente vai exagerar de mimos pra você no segundo. Quanto aos amigos… bem, são eles que não vão deixar você enlouquecer quando a vida começar a se tornar um pouquinho mais complicada.

Quanto a seu pai… pois é, Maria Eduarda, vá com calma no seu pai. Ele é bem menor que seu enorme coração, e por isso ele tende a ser um pouquinho exagerado. No amor e no castigo. Procure não deixá-lo doente de preocupações daqui a uns anos, e dê pulinhos de alegria todas as vezes em que ele te desenhar como numa revistinha em quadrinhos. (acredite: ele vai enchê-la de desenhos, música e poesia – aprenda bem rápido a apreciar tudo isso). E saiba que sempre, todas as vezes, em que alguma coisa de ruim acontecer, ele vai achar um jeito de te fazer rir.

Ainda bem que sua mãe é uma pessoa doce, meiga, e tranquila. Se você fosse filha só de seu pai essa carta não ia caber de tantas recomendações.

Tenha paciência com Shylock e Morgana. Sei que será difícil, porque eles são a coisa mais fofa que você verá em casa, mas tente. Lembre-se do que eles abriram mão para recebê-la bem (não se assuste, eles devem voltar ao normal). Eles encherão sua infância de brincadeiras e sorrisos.

Por último, recomendo que você faça como eu e assista, todos os fins de ano, o filme da Noviça Rebelde. O máximo de sabedoria que eu poderia passar para você eu aprendi ali. O negócio de que, quando Deus fecha uma porta, em algum outro lugar ele abre uma janela. Você, Maria Eduarda, é uma janela aberta.

Seja sempre portas e janelas escancaradas, e comece a viver assim, de amor.

De sua tia Nine.

tá tá tá

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alguém me livre de ivete sangalo! não é possível que toda vez que eu vá em um lugar a mulher esteja cantando. é na academia, no bompreço, em 10 canais de televisão, no barzinho em que fui com mamãe e mari (aliás, por que é que hoje em dia todo boteco tem que ter tv de plasma na parede?). a porra do maracatu metalizado ou qualquer coisa que o valha tá me deixando realmente irritada.  

plantar mais que amigos, discos e livros

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vou tentar começar uma hortinha de apartamento. enquanto o projeto de comprar uma casinha com quintal amadurece, quero plantar mudas de manjericão, alecrim, orégano e hortelã, que serão muito úteis na cozinha de meu namorado (sim, ele é silente e faz de conta que não lê o blog, mas ele existe). Se tudo der certo, depois quero ter um limoeiro e um tomateiro (com tomates-cereja!). wish me luck.

ps: agradeço muito se alguém tiver dicas pra que as bichinhas das mudinhas não morram esturricadas em função da minha falta de jeito.

uma água mineral, por favor

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acho que ando por uma fase de baixa tolerância a álcool. duas cervejinhas a mais e no outro dia eu sinto que um trem passou por cima de mim. ou então vai ver que meus ajustes dietéticos estão me deixando mole demais… ao tentar ser mais saudável (tomando todos os dias sucos de fruta feitos na hora, comendo mais frutas e saladas, fazendo exercício 4x por semana, tomando mais água e menos café) acabo minando minha resistência a tudo o que não presta. pra alguém cujo lanchinho da tarde envolvia leite moça com nescau, uma simples goiaba não pode representar nutrição, né verdade? tô ficando fraca!!

não tente fazer isso em casa

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sabe aquela sensação que a gente tinha, aos 15 anos, que podia fazer qualquer coisa? que tinha “o resto da vida” pela frente? que tudo era possível? a-c-a-b-o-u.

cheguei à conclusão de que, pra algumas coisas, já é tarde. me vejo agora fazendo contas dos anos que ainda me restam pra dar tempo de passar num concurso definitivo, ter um filho,  pagar as contas de um empréstimo bancário para a compra de um apartamento. me pego me achando velha demais pra morar pelos interiores. me pego com medo do fracasso. me pego cansada cedo demais (na semana passada, ter ido a um casamento no sábado me deixou o domingo inteiro meio mole).

pois os meus limites se me apresentaram (isso tá certo?), e eles me apavoram um pouquinho. queria ser tão segura quanto sempre sonhei que seria. queria ter um roteiro, um mapa, um manual de instruções. queria ter um colchão de segurança à prova de erros. em vez disso, vou me debatendo para aceitar responsabilidades, escolhas e dificuldades inerentes à vida pré-maturidade. pós-papai-e-mamãe. na antesala do futuro.

de vez em quando me pego reconhecendo – tristemente – que o sucesso dos outros também me frustra. que minha frustração me frustra. que o meu medo pré-frustração é ainda pior que a frustração em si.

o que é ridículo é pensar que, se o anjo da morte me perguntasse, agora, o grau de felicidade que tenho/tive em minha vida, eu venderia meu peixe bem alto e arriscaria responder que não imaginar ser mais feliz do que sou.

o que me leva a crer que todo esse meu blá-blá-blá é só decorrência da sensação do ei-tá-tudo-acontecendo-agora-se-apresse. é produto do estar todos os dias em meio a situações completamente novas pra mim. é consequencia de admitir que, pra esse aprendizado, eu tô absolutamente sozinha, assim como todo mundo.  

ora, eu, como qualquer pessoa, não quero falhar de um jeito que não possa consertar depois. queria ter 15 anos só agora, tendo vivido quase 28.