mas como eu ia dizendo …

       o que era mesmo que eu queria dizer?

provocateaser, eu? Novembro 20, 2007

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 10:53 pm

eu deveria ficar triste porque a loja da forum no shopping recife fechou e eu, sempre que queria ou precisava me sentir sexy, gostava de pensar na forum como um armazém de roupas pra me sentir me bonita. mesmo que não fosse lá comprar porque não tinha dinheiro. eu gostava da idéia de mulher que eles antigamente vendiam. refinada, mas sexual. provocadora, mas de bom tom. se bem que de uns anos pra cá eu já vinha identificando a decadência, uma certa desassociação de imagem.

mas eu não estou lamentando muito não.

simplesmente me toquei (e isso, sim, me deixou mal) que a minha imagem de mim mesma também andou mudando muito. ando trocando os decotões por roupas mais clássicas. ando substituindo quantidade por qualidade. são cada vez mais raras as vezes em que me vejo como uma mulher sexy/arrasa-quarteirão. não sei se isso é bom ou ruim, se vem com a idade, com a felicidade conjugal ou com os compromissos e planos de futuro. mas sei que isso é grave. ontem, por exemplo, minha dermatologista me disse que eu já estava na idade de usar um leve ácido pra prevenir as ruguinhas (e eu acho lindo mulher com ruguinha!). no fim de semana eu comprei um vestido tamanho M só porque achei o tamanho P curto demais, mesmo sabendo qe eu teria que mandar apertá-lo.

o diagnóstico de todo esse blá blá blá, meus amigos? eu tenho medo de que daqui a pouquinho eu vire uma matrona.

 

para falta de inspiração, drummond. Novembro 18, 2007

Arquivado em: sou olhos e ouvidos — mascomoeuiadizendo @ 7:15 pm

Morte do leiteiro

A Cyro Novaes

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro…
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue… não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.

 

SOS Novembro 15, 2007

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 9:11 pm

preciso, desesperadamente, ler um livro maravilhoso. é sério. tô com uma idéia pra um conto na cabeça há duas semanas e não consigo escrever uma única linha. é falta de alimento. meu ofício literário também está morrendo de inanição. será que ele morreu pra sempre?

 

loaded (essie jain) Novembro 15, 2007

Arquivado em: sou olhos e ouvidos — mascomoeuiadizendo @ 10:06 am

” a worthless thing that is everything but precisely what i asked for”

 

bernardo espirituoso Novembro 10, 2007

Arquivado em: olha pra isso! — mascomoeuiadizendo @ 9:20 am

sobre rogéria, o congresso nacional, as prostitutas e mickey mouse.

http://bocejando.blogspot.com/

 

em (des)construção Novembro 9, 2007

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 7:32 pm

ando estressada. muito trabalho, muita aula, muita coisa pra fazer, muita mudança, muita preocupação com a família, muitos rearranjos.

há quem diga que é inferno astral, a três semanas de meu aniversário. quero crer que é apenas o ciclo da construção de como eu planejo viver os próximos anos do resto da minha vida.

 

a house is a home Novembro 6, 2007

Arquivado em: Uncategorized — mascomoeuiadizendo @ 10:14 pm

when i climb the stairs and turn the key…  you´re there. :)

 

Little Children Novembro 3, 2007

Arquivado em: sou olhos e ouvidos — mascomoeuiadizendo @ 9:18 am

finalmente vi “Pecados Íntimos”(Little Children), que perdi no cinema. há tempos não via um filme assim tão adulto, tão provocador, e tão real. os conflitos dos personagens, antes de mostrarem um exagero tão comum em hollywood, refletem problemas comuns, que todo mundo enfrenta, e que dão aquela sensação de que eles poderiam ser nossos vizinhos. é fácil se imaginar no meio daqueles dilemas (a rejeição e o desejo bovariano de Kate Winslet, a suspeita, a passividade e a ausência de Jennifer Connely, o fracasso, a falta de rumo e a imaturidade de Patrick Wilson), por isso o filme funciona e segura uma tensão boa de que o cinema anda tão carente. e adorei o uso do parquinho e da piscina como “o social”, a vida normal e perfeita que se mostra ao exterior, ainda que, por dentro, sejamos todos uns losers.

 

até ela quis tirar uma casquinha Novembro 3, 2007

Arquivado em: sou olhos e ouvidos — mascomoeuiadizendo @ 9:01 am

02/11/2007 – 18h11

Rainha Elizabeth 2ª visita filmagens de James Bond

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da Ansa, em Londres

A rainha Elizabeth 2ª, 81, visitou nesta sexta-feira os estúdios onde ocorrem as filmagens do novo trabalho da série cinematográfica de James Bond e assistiu a algumas cenas no local.

Divulgação
Ator Daniel Craig vive o charmoso espião James Bond; rainha foi ver gravações
Ator Daniel Craig vive o charmoso espião James Bond; rainha foi ver gravações

A rainha, que costuma acompanhar as aventuras do agente secreto, percorreu as instalações dos estúdios Pinewood, no oeste da capital britânica, e se encontrou com vários atores do filme e com protagonistas do programa de humor “My Family”, cujas filmagens ocorrem no mesmo local.

A rainha e o príncipe Phillip inauguraram uma nova entrada do estúdio, localizado no Condado de Buckinghamshire.

O novo filme de James Bond, que estreará em novembro em Londres, será protagonizado por Daniel Craig, que já interpretou o agente em “007 Casino Royale” (2006).

 

poços de petróleo nos olhos Novembro 2, 2007

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 9:29 am

cumprindo o ritual básico de todo míope, ontem fui ao oftalmologista. medi a pressão ocular (com direito àquele colírio amarelo horroroso), fiz exame de fundo de olho, verifiquei os muitos graus para correção com óculos, e fiz o que eu mais detesto fazer no oftalmologista: dilatei minha santa pupila.

acho que todo mundo odeia dilatar a pupila. arde, incomoda, não te permite ler a revista enquanto espera ser atendido. se o celular toca, não dá pra ver o nome de quem está chamando. há também a dificuldade em assinar o papelzinho do plano de saúde, porque o lugar da linha de assinatura fica borrado. mas, pra mim, nada se compara ao momento em que, com a receita nas mãos, saio da clínica escurinha para a rua, debaixo do sol escaldante às 11 da manhã.

tenho a impressão de que meus olhos se contorcem para se esconder da luminosidade. dirigir se torna uma tarefa penosa, somente possível com a ajuda de óculos escuros (com todos os meus muitos graus de correção). passar a tarde assistindo aula, então… eu escrevia no caderno como quem adivinha de olhos fechados. mas todos esses transtornos são normais e esperados, e deveriam ser provisórios, ultrapassados depois de algumas  horas os efeitos do medicamento. mas não em mim. por alguma característica maluca de sensibilidade à droga, passo uns dois dias inteirinhos com as pupilas enormes, escondendo o rosto no escuro e fugindo da luz do sol como um vampiro acuado. a luz de leitura ao lado da cama me dá a sensação clara de que há um sol no meio da minha madrugada. o reflexo do sol verdadeiro – de manhã cedo – na pedra do parapeito da varanda quase me cega.

e minha pupilas continuam gigantes, meus olhos pretos, absorvendo muito mais do que eu gostaria. talvez não só de luz. talvez a abertura alargada dos meus olhos me tornem toda mais sensível, mais não-me-toques. mais precisada de um ninho escuro e quentinho onde eu possa me esconder.