mas como eu ia dizendo …

       o que era mesmo que eu queria dizer?

pra edgar Novembro 7, 2009

Arquivado em: jura? — mascomoeuiadizendo @ 12:55 am

Se você crê em Deus
Erga as mãos para os céus
E agradeça
Quando me cobiçou
Sem querer acertou
Na cabeça…

Eu sou sua alma gêmea
Sou sua fêmea, seu par
Sua irmã
Sei jeito, seu gesto
Sou perfeita porquê
Igualzinha a você
Eu não presto!
Eu não presto!…

Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome, sem lar
Sou aquela
Eu sou filha da rua
Eu sou cria da sua
Costela…

Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pr’os carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus…

Se você crê em Deus
Encaminhe pr’os céus
Uma prece
E agradeça ao Senhor
Você tem o amor
Que merece…

Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome, sem lar
Sou aquela
Eu sou filha da rua
Eu sou cria da sua
Costela…

Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pr’os carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus…

Se você crê em Deus
Encaminhe pr’os céus
Uma prece
E agradeça ao Senhor
Você tem o amor
Que merece…

 

mau humor Novembro 4, 2009

Arquivado em: jura? — mascomoeuiadizendo @ 8:44 am

é quando você acorda de manhã e tudo parece estar fora de seu lugar. quando nada sai do seu jeito. quando você sai atrasada de manhã. quando você lembra das merdas que fez. quando você lembra do que deveria ter feito e não fez. quando você vê as fotos de seus amigos na europa e lembra de seu próprio liseu. quando você não consegue entender porque está lisa. quando você tá se matando de fazer exercício pra perder, o que, uns 500 gramas. quando você tem vontade mesmo é de pegar uma gripe e passar  uns 2 dias de molho sem nem sair do quarto, esperando o mau humor passar.

 

reflexão para o mês Outubro 28, 2009

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 5:38 pm

tem uma cena em MILK, de Gus van Sant, em que o personagem-título, na noite de seu aniversário de 40 anos, suspira e se lamenta: “40 anos e não fiz nada de me que me orgulhe”. achei a melhor cena.

o que acontece quando a gente se dá conta de que é preciso, sim, se orgulhar, de que não basta somente viver?

 

a ponte, o rio e eu Setembro 30, 2009

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 11:28 pm

Todo mundo tem um professor querido do coração. Alguém que pegou uma matéria que você ou odiava ou desdenhava e transformou em algo novo, interessante, que fazia você chegar em casa e querer estudar mais. Sabe aquela professora de literatura que fazia você entender, na oitava série, como Machado de Assis era genial? Essa matéria pra mim foi direito penal, e esse professor foi o Professor Antônio Carlos da Ponte, e quando isso aconteceu eu já tinha passado há muito tempo dos tempos de faculdade.

O engraçado é que eu nunca assisti, presencialmente, uma aula sequer dele. Eu acompanhava suas lições via satélite, num curso a distância. Isso mesmo, um curso a distância. Ele lá na Alameda Santos e eu sentadinha numa banca aqui em Recife, num curso de seis meses que mudou minha visão sobre o Direito e que deu forma aos projetos a que me agarrei dali pra frente. Eu odiava direito penal na faculdade. Com o Professor Ponte, consegui ser aprovada numa prova discursiva para promotor de justiça. Foi ele quem me fez finalmente entender o que antes era incompreensível. O caderno onde eu fiz as anotações de suas aulas já está com a capa quase caindo, de tanto que foi consultado.

Pois bem, quando recebi o resultado dessa prova eu lembro quedisse que iria, se viesse a tomar posse, mandar um email ao Professor e contar-lhe dessas circunstâncias, primeiro porque acho que a profissão é incrivelmente desrespeitada nesse país, e bons professores precisam ser reconhecidos, e depois por questões sentimentais: pra mim é muito importante dizer, com todas as letras, que admiro/odeio/tenho medo/amo/respeito o outro. É uma questão de honra.

Mas então o mundo dá muitas voltas e durante muitos meses eu fiquei sem saber o que iria acontecer. Ter passado na prova não era o suficiente, e eu tinha que esperar decidirem como é que ia ser. E não é que justo na manhã em que isso foi resolvido, em Brasília-DF, eu vejo o Professo Ponte no corredor do lado de fora da sala do Plenário? Eu tinha acabado de sair da sessão, feliz, e ele estava lá, ali do meu lado, a um metro do meu ombro.

Apressei-me em estender a mão, apresentei-me, disse que ele não me conhecia. Mas contei a diferença que ele tinha feito em minha vida. Que eu estava ali, em alguma instância, por causa dele. Que sua inspiração como professor tinha mudado completamente minhas opiniões. Que ele tinha me inaugurado um caminho novo. E ele – pessoa muito simples, muito educado e simpático – sorriu, meio envergonhado, meio satisfeito. Acabamos conversando por quase uma hora. Trocamos ideias, impressões, ele me contou de alguma de suas experiências no Ministério Público. Enchi-me novamente de altos ideais, movida pela suas palavras. No final, deu-me um cartão, onde anotou seu telefone. Vi que ele é também (e eu nem sabia) vice-diretor da PUC-SP. Perguntei se, se eu viesse a exercer o cargo, eu poderia ligar pra tirar dúvidas. Ele riu e me garantiu que sim. Pediu que eu lhe avisasse da data da posse.

Foi somente aí que a ficha caiu. O ciclo estava se completando, olha só. Eu tinha saído da menina que não entendia muito bem o que tinha ido fazer na facvldade pra mulher que estava conversando com gente grande na Capital Federal, cheia de ideias e de argumentos, que teve a honra de dizer a um Professor querido o quanto ele era querido. E que tinha umas microlágrimas nos olhos que eu teimei, a custo custo, em reprimir.

 

somos os mesmos e vivemos Setembro 23, 2009

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 10:25 pm

a gente passa anos achando que ainda tem muito tempo até chegar a ser “velho”. eu mesma achava que demoraria a vida inteira pra chegar aos 30 (sendo 30, claro, o símbolo da chegada ao “velho”, quando se tem 20). pois meus 30 tão aí batendo na porta, e eu continuo brigando com/contra a idéia de que ainda tenho muito tempo pra muita coisa na vida.

mas o que eu queria dizer era que eu nunca achei que um momento assim, pinçado no meio dos dias, fotografado de forma claríssima, poderia ser a certidão – selada, carimbada e assinada – de que você já não pertence mais ao mundo “jovem”. sempre me pareceu que seria um processo gradual, de modo que a gente jamais conseguisse apontar o dedo pra dizer “olha, foi precisamente ali que eu percebi que já tinha dobrado a esquina”.

bem, eu me lembro quando meu pai tinha trinta e poucos. me parecia um bocado, ele sendo meu pai todo onipotente. lembro da minha mãe me esperando na saída das festas pra me levar pra casa, e ela também tinha trinta e poucos. mas foi sexta-feira passada, dia 18 de setembro de 2009 – vejam bem, foi exatamente naquela noite – que eu finalmente entendi que já tinha chegado minha vez de ter trinta. e que daqui a pouquíssimos anos serei eu lá, em pé, esperando minha enteada sair do show do beirut de então pra levá-la pra casa.

pela primeira vez na vida, olhei em volta e vi os outros não como meus pares, “minha galera no show de rock”, mas exatamente com o mesmo ar enfadado, crítico, paternalista e velho com que os “adultos” tinham me olhado por toda a minha adolescência. descoberta da década: eu tinha saltado de geração.

 

from the jaws of defeat Setembro 9, 2009

Arquivado em: jura? — mascomoeuiadizendo @ 10:31 pm

a injustiça dói.

mas a restauração da justiça lava a alma que é uma beleza.

 

quem é vivo sempre muge Setembro 8, 2009

Arquivado em: olha pra isso! — mascomoeuiadizendo @ 7:27 pm

textinho novo no vaca

contemplação de horizontes sombrios.

 

Eliane Brum. Vida de Clichê (Revista Época). Setembro 4, 2009

Arquivado em: olha pra isso! — mascomoeuiadizendo @ 8:25 am

“Sei disso e tento manter-me inquieta. Quando vou me tornando um bichinho, enrodilhada em mim mesma, sou também eu que me cutuco com um pedaço de pau para sair da toca. Conforto é bom, mas é também uma não-ação. Sei que apenas chegando cada vez mais perto de mim mesma é que posso alcançar a possibilidade de ser outra. E de fazer do velho em mim algo novo.” (daqui)

 

e tudo se resume Agosto 30, 2009

Arquivado em: agora falando sério... — mascomoeuiadizendo @ 7:54 pm

a pior coisa do mundo é a indefinição. é possível aprender a lidar, com o tempo, com uma situação ruim, com uma sacanagem que alguém lhe fez ou com um grande azar. qualquer adulto bem resolvido deveria poder, com alguma paciência e terapia, sobreviver a essas pequenas tragédias cotidianas, uns muito bem, outros nem tanto. mas como lidar com um problema, quando ele ainda não se apresenta pronto e acabado na sua frente?

muito fácil, você diria. se ele ainda não está lá, é porque não existe, portanto não seria fonte alguma de preocupação. errado. ele existe porque todos os dias eu sinto os seus efeitos, todos os dias esse problema consome minhas horas, meus neurônios, minha ansiedade crônica. ele existe porque todo santo dia alguém me pergunta sobre ele, no supermercado, na livraria, na festinha. só que até agora não se decidiu, formalmente, como é que esse problema vai ser enfrentado, então eu fico esperando.

esta semana se decidirá sobre um processo que tem consumido esses últimos 16 meses da minha vida. parece grande coisa, mas não é. do ponto de vista prático, é só um emprego. do MEU ponto de vista, é aquilo por que briguei, passei noites insones, dediquei fins de semana, feriados e férias. durante 16 meses eu me preparei pra isso, fiquei feliz com isso, sofri e descabelei com isso, e pode ser que sexta-feira eu tenha algum tipo de definição. ou não. pode resolver os próximos 30 anos da minha vida. pode descambar pra uma briga feia. pode me fazer cair em depressão. pode me impulsionar pra tentar algo novo. como saber?

de qualquer jeito, eu só espero a decisão. eu quero que alguém defina o que é que eu vou ter que fazer. quero me libertar de ter que contar com esse sim ou não pra saber se eu posso respirar.

 

aditivos pra quê? Agosto 25, 2009

Arquivado em: jura? — mascomoeuiadizendo @ 9:02 pm

odeio botar combustível no carro. na minha cabeça, eu deveria poder chegar no posto, pedir 50 reais de álcool, e ir embora. Mas não.

começou com um “dar uma olhada na água e no óleo”… bem, o óleo eu sei pra que serve, mas e a água? Eu fico com medo de descobrirem algo horrível no carro (= gastos e dor de cabeça), e sempre agradeço e digo que estou com pressa (o que é verdade, 100% do tempo).

aí passaram a perguntar se eu não queria botar a gasolina aditivada, enquanto desfiavam todas as maravilhosas qualidades desse combustível. sempre agradeço e digo que fica pra próxima.

então oferecem água e cafezinho, que eu também nunca aceito. jornal, troca das paletas do vidro, troca do extintor de incêndio, aditivo de motor, calibragem de pneus, lavagem grátis com 15 carros na fila…

fico estressada. estou com pressa, quero apenas alguns litros de qualquer coisa no tanque pra ir embora. mas a verdade é que eu sempre saio do posto com a certeza de que, a qualquer minuto, o carro vai quebrar porque eu sempre agradeço e vou embora, achando que o bicho não precisa de nenhum mimo pra andar sozinho.